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José Antonio

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As águas do Velho Chico chegaram o que fazer com elas?

18/03/2022 às 17h15

Eixo norte da transposição do São Francisco (foto: Divulgação/Ministério da Integração)

Por José Antonio

Foi realizada nesta última terça-feira, dia 15 de março, uma audiência pública, na cidade de São José de Piranhas, sob o comando do deputado estadual Jeová Campos (PT) e como anfitrião o prefeito Chico Mendes, para ouvir a os líderes rurais da região sobre a chegada das águas do Rio São Francisco.

Ouvi várias falas, através da Rádio Alto Piranhas, e algumas acreditam que as águas será a redenção desta região, a exemplo do que já ocorre na comunidade de Cacimba Nova, no município de Conceição – PB, desde as construções de açudes realizados no governo de Wilson Braga e existe uma condição fundamental: que se tenha disposição para trabalhar, pois nesta comunidade eles transformam água em riqueza. É só seguir o exemplo.

Como a maior obra de infra-estrutura hídrica do país, a transposição do Rio São Francisco, pode abrir caminhos para ampliar o desenvolvimento econômico da Região Nordeste?

Estima-se que, no Brasil, existam aproximadamente 3,5 milhões de hectares irrigados, dos quais pouco mais de 500 mil localizados no semiárido (em torno de 140 mil em áreas públicas de assentamento e cerca de 360 mil em propriedades privadas).

Os projetos de irrigação exercem um papel importante para a redução da pobreza no semiárido, particularmente por contribuírem efetivamente para a geração de empregos, requerendo baixos investimentos por posto de trabalho gerado relativamente aos demais setores.

Estudos revelam o quanto foi importante para algumas regiões do semiárido os projetos de irrigação, que além da geração de empregos, o setor favoreceu, por meio da elevação da produção e da produtividade, atraindo, em conseqüência, uma demanda adicional, o aumento do consumo de alimentos a preços mais baixos, nos mercados local e nacional. Esses benefícios são particularmente aproveitados pelos extratos inferiores de renda, visto que despesas com alimentação constituem um percentual mais elevado de suas receitas, elevando, portanto, seu poder de compra.

Os municípios com irrigação apresentam um desempenho melhor do que aqueles sem irrigação, indicando a influência positiva da agricultura irrigada no desenvolvimento social e econômico da região.

Os números indicam que “em trinta anos, de 1970 a 2000, três dos cinco municípios com irrigação foram convertidos a cidades de grande porte e incorporados à lista dos 4% de municípios brasileiros com população acima de 100.000 habitantes, a saber: Petrolina (PE), que passou de 61.000 habitantes, em 1970, a 219.000, em 2000, a uma taxa de 4,4% ao ano; Juazeiro (BA), que passou de 62.000 habitantes para 175.000; e Mossoró (RN), que passou de 97.000 para 214.000 habitantes. A título de comparação, enquanto Petrolina cresceu 257%, entre 1970 e 2000, Serra Talhada (PE), seu município-espelho, cresceu apenas 27%, passando de 60.000 a 71.000 habitantes. De modo similar, a população de Juazeiro (BA) cresceu 183%, enquanto a de Jacobina, seu município-espelho, decresceu 0,04%. Por seu turno, Mossoró (RN) cresceu 120%, enquanto Acari cresceu apenas 3%, durante o mesmo período”.

Esses números indicam que a agricultura irrigada contribuiu significativamente para a redução da pobreza no semiárido e com eles verifica-se ainda uma diferença considerável entre as condições existentes nos municípios com e sem irrigação, ainda que ambos apresentem percentuais muito elevados de famílias.

A irrigação contribuiu para a redução da pobreza em todos os pólos, tanto em âmbito municipal quanto a nível microrregional. Foram observados substanciais incrementos da renda per capita.

O indicador mais evidente da redução da pobreza consiste no número de empregos gerados. A demanda por mão-de-obra varia de 0,2/ha, na rizicultura, a 0,7/ha, na bananicultura, chegando a 2,5/ha, na viticultura.

O que fazer com águas do Rio São Francisco que estão passando nos terreiros de nossas terras? Eis a questão.

As águas do Piranhas, misturadas com as do São Francisco não podem passar candidamente em nossa porta e servirem apenas para deleite e gostosos banhos, mas que as transformemos e a multipliquemos em riqueza.

José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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José Antonio

José Antonio

Professor Universitário, Diretor Presidente do Sistema Alto Piranhas de Comunicação e Presidente da Associação Comercial de Cajazeiras.

Contato: altopiranhas@uol.com.br

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