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Edivan Rodrigues

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Cajazeiras: cidade universitária

24/08/2010 às 19h03

Afastada a ameaça de fechar o curso de medicina, convém pensar na questão de fundo: tornar Cajazeiras uma cidade universitária. A audiência coletiva concedida, semana passada, pelo ministro de educação, Fernando Haddad, a políticos, gestores acadêmicos e representantes da sociedade civil de Cajazeiras, resultou em ganhos, embora com o travo da redução no número de vagas de 80 para 30 no curso de medicina. Tal medida talvez signifique uma espécie de ajuste na ousadia da UFCG e seu dinâmico reitor Thompson Mariz. Ousadia, aliás, aplaudida por todos nós, em face das dificuldades inerentes à posta em marcha de um curso complexo como o de medicina, em condições notoriamente adversas.

De qualquer sorte, festejamos mais uma batalha vencida. Batalha intermediária, porque nessa matéria não há vitória final, mercê do tamanho do desafio e, sobretudo, do caráter permanente da luta pela consolidação do ensino superior. Na verdade, um longo processo que, em última instância, vai transformar Cajazeiras em cidade universitária de dimensão regional. Este é o desafio maior. Para enfrentá-lo impõem-se intervenções articuladas, envolvendo muitos aspectos da vida de Cajazeiras. Para tanto, o primeiro passo é adquirirmos consciência dessa realidade em movimento, de sua importância para o futuro da região e da Paraíba. Disseminar essa consciência é apenas o começo. Outro passo é agir em função dela. Por isso, todos devem engajar-se nesse processo que mudará a face de vasta área do sertão paraibano.

Todos aqui não é palavra de efeito. Ao contrário, é real. Abrange o universo de instituições e pessoas. Instituições ligadas ou não ao ensino, sejam elas federais, estaduais ou do município. Públicas e privadas. Oficiais e não governamentais. Partidos e lideranças políticas de todas as correntes, pouco importa a preferência pela cor da bandeira ou o credo religioso. Sindicatos e entidades de classe, de patrões e operários, entes representativas de comunidades organizadas, enfim, do cidadão comum, independente do papel econômico, social ou político que cada um desempenha na sociedade.

Diante dessa nova realidade, fica anacrônico o debate que coloca em confronto: setores produtivos versus “vocação” para o ensino. Hoje, essa dicotomia é falsa. Virou papo diletante. A realidade está se impondo a essa discussão, tantas vezes levantada por muitos de nós, estudiosos, professores, jornalistas, políticos ou simples palpiteiros. Pode haver divergências.

E é bom que elas aflorem, porém, nunca ao ponto de prejudicar a essência da questão: consolidar Cajazeiras como pólo do ensino. Ou, se o leitor preferir, torná-la uma cidade universitária. Para isso, é urgente projetar as mudanças que a expansão dos núcleos de ensino estão a exigir no re-ordenamento urbano, em particular nos sistemas viário e de transportes, na ampliação da oferta de imóveis de qualidade, na criação de espaços públicos de convivência e de lazer, e até na maneira de tratar os novos moradores que aportam a Cajazeiras. Neste caso, com reciprocidade. Os exemplos aqui citados são, apenas, singela amostra do conjunto de ações, intervenções e atitudes que a comunidade precisa implementar para que Cajazeiras se torne uma verdadeira cidade universitária.
 

Edivan Rodrigues

Edivan Rodrigues

Juiz de Direito, Licenciado em Filosofia, Professor de Direito Eleitoral da FACISA, Secretário da Associação dos Magistrados da Paraíba – AMPB

Contato: edvanparis@uol.com.br

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Edivan Rodrigues

Edivan Rodrigues

Juiz de Direito, Licenciado em Filosofia, Professor de Direito Eleitoral da FACISA, Secretário da Associação dos Magistrados da Paraíba – AMPB

Contato: edvanparis@uol.com.br

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