Mostrar obras já não basta: político que não emociona perde

Por Caliel Conrado – A pergunta que já ronda 2026 não é simples, mas é necessária: quem vence uma eleição hoje? O mais simpático? O que mais entregou obras? O que aparece com maior frequência nas mídias? A resposta, para desconforto de muitos, é não. Ou, ao menos, não apenas isso.
Ainda é comum a crença de que boa comunicação política se resume a exibir obras, inaugurações e uma sucessão previsível de imagens: o “joinha” ensaiado, o sorriso forçado, os abraços coreografados, as fotos coletivas que pouco dizem e nada emocionam. Mostrar resultados é relevante, sem dúvida. No entanto, quando isolado, esse modelo já não sustenta uma campanha competitiva.
O eleitor não decide apenas com a razão; decide, sobretudo, com a emoção. E é a narrativa — não o relatório — que constrói conexão.
O que se vê, porém, é o oposto: políticos despejando informações em ritmo industrial nas redes sociais e nos meios tradicionais, como se quantidade fosse sinônimo de eficácia. Vivemos uma era de excesso, de fadiga informacional. Textos longos, fotos sem alma, vídeos previsíveis. Falta ousadia. Falta verdade. Falta a pergunta essencial: isso está, de fato, tocando o coração de alguém?
Há também um sinal de alerta pouco discutido: a mídia que só recebe aplauso de assessores e bajuladores. Vale olhar com atenção — onde está o povo dos bairros, das periferias, das comunidades nessa interação? A vaidade, quando não vigiada, cega. E na política, costuma cobrar um preço alto.
No fim das contas, é simples e cruel: alguém pode ter realizado as maiores obras da história, mas sem a narrativa certa — aquela que acolhe, emociona e faz o eleitor se sentir parte da história — o risco de derrota é real. Em 2026, não vencerá quem falar mais bonito ou quem mostrar mais feitos. Vencerá quem souber se conectar melhor.
Estudos consistentes em comunicação política indicam que os apelos emocionais exercem influência direta tanto na disposição do eleitor em apoiar um candidato quanto no seu nível de engajamento político. Campanhas que se restringem à enumeração de obras e realizações, sem considerar como essas mensagens são percebidas e sentidas pelo eleitor, tendem a apresentar menor eficácia.
É preciso lembrar: vínculo e emoção valem mais do que números de visualizações ou curtidas.
O eleitor demonstra cansaço diante de políticos excessivamente ensaiados, que se comunicam como máquinas — ou, pior, como versões mal programadas de uma inteligência artificial. Há uma demanda clara por lideranças humanas, reais, capazes de expor convicções, alegrias e dores, de demonstrar força sem esconder fragilidades. É essa autenticidade que gera encantamento, confiança e, sobretudo, conexão verdadeira.
Segundo a última pesquisa Datafolha, 78% dos eleitores afirmam que proximidade e compreensão de suas necessidades são determinantes na escolha de um candidato, fica claro que a disputa eleitoral não se resolve no volume de postagens nem na exibição mecânica de feitos nas mídias digitais e tradicionais. Ela se decide na capacidade de escutar, traduzir sentimentos e comunicar com humanidade. Quem insistir em falar para o eleitor, e não com o eleitor, corre o risco de ser apenas mais um nome na urna. Já quem constrói uma relação genuína de confiança transforma comunicação em vínculo — e vínculo em voto.
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