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Edivan Rodrigues

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Pausa para Miguel Arraes

12/08/2010 às 22h42

Miguel Arraes morreu no dia 13 de agosto de 2005, aos 88 anos, de infecção generalizada, causada por gripe mal curada que virou pneumonia. Era então deputado federal e, desde 1993, presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Arraes não compartilhou com o neto e herdeiro político, Eduardo Campos, a alegria de vê-lo governador de Pernambuco, mas ajudou a construir a estratégia que levaria o jovem economista ao governo em 2006. E, certamente, à reeleição este ano.

Arraes não foi um político comum.

Seus olhos brilhavam quando via um bico de luz ou a cisterna na casa de trabalhador rural. Ele costumava dizer que com água e energia elétrica o camponês se liberta das amarras que o prendem ao sistema de dominação política, desde a colonização do Brasil. Daí o brilho em seu olhar. O programa “Luz para Todos”, do governo Lula, tem origem em sugestões de Arraes, em cima do que fizera em Pernambuco.

Arraes era assim. Quando governador, pela terceira vez (1994-98), estava em moda proposta de grandes complexos turísticos destinados ao lazer de estrangeiros, seguindo o modelo mexicano de Cancun. Arraes via com desconfiado a euforia de auxiliares, entusiastas da atração de empreendimentos hoteleiros para as belas praias ao Sul do Recife. Certo dia, ele reuniu projetos e relatórios técnicos acerca do assunto e os analisou num fim de semana, sob a ótica de custos e benefícios sociais.

Devolveu a pasta acompanhada de texto escrito à mão. Foi um choque. Arraes captou com lucidez os eixos fundamentais do empreendimento e registrou seu ponto de vista, aqui resumido neste questionamento: por que destinar tantos recursos, escassos numa região carente como a nossa, deixando à margem dos benefícios a população de cidades e vilas no entorno dos grandes projetos? Aos turistas seriam oferecidos atrativos de lazer de primeiro mundo, um enclave sem contato com a cultura local, a população da vizinhança a contentar-se apenas com migalhas. Miguel Arraes enxergou naqueles complexos turísticos a típica visão do colonizador, até mesmo nos segmentos projetados para compensar carências de cidades como São José da Coroa Grande, Barreiros, Rio Formoso e outras. Foi acusado de retrógado.

Arraes era assim. Não abria mão de suas convicções, profundamente, identificadas com o povo, em particular, com os mais pobres, os excluídos. Identificação que vinha de longe, arraigada no sertanejo marcado pela seca de 1932, vivida quando adolescente no Cariri cearense. Acrescida, mais tarde, no contato com as perversas relações de trabalho na zona canavieira e seus injustos contrastes sociais, que ele conheceu de perto como técnico concursado do Instituto do Açúcar e do Álcool. Essas duas vivências (a da seca e a da zona da mata) moldaram sua formação e a conseqüente atuação política. E fizeram de Arraes um político incomum.
 

Edivan Rodrigues

Edivan Rodrigues

Juiz de Direito, Licenciado em Filosofia, Professor de Direito Eleitoral da FACISA, Secretário da Associação dos Magistrados da Paraíba – AMPB

Contato: edvanparis@uol.com.br

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Edivan Rodrigues

Edivan Rodrigues

Juiz de Direito, Licenciado em Filosofia, Professor de Direito Eleitoral da FACISA, Secretário da Associação dos Magistrados da Paraíba – AMPB

Contato: edvanparis@uol.com.br

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