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Matadouro da Bahia inicia abate de jumentos e mata 300 animais já no primeiro dia de funcionamento

Atividade é incentivada pelo governo local.

Por Luzia de Sousa

22/07/2016 às 08h23 • atualizado em 22/07/2016 às 09h16

Pouco comum no Brasil e rejeitado pela maioria da população, o abate de jumentos de forma legalizada começou a acontecer na Bahia na última segunda-feira (11).

O Frigocezar pretende abater 3 mil jumentos no primeiro mês de funcionamento dessa atividade. O matadouro fica em Miguel Calmon, uma cidade com pouco mais de 26 mil habitantes localizada no centro-norte do estado da Bahia, distante 360 km de Salvador.

Segundo uma reportagem do jornal local Agora Na Bahia (confira aqui), o objetivo do abate é a exportação do couro para a China. A carne, nesse caso, será um produto de descarte e vai ser doada para o zoológico de Salvador.

Os chineses têm interesse no couro dos jumentos para a fabricação de cosméticos. Seguindo uma cultura de medicina com milhares de anos, alguns chineses acreditam que produtos de beleza fabricados com a raspagem do couro de jumentos faz bem à saúde humana. Como na China há poucos jumentos, os empresários vieram para o nordeste brasileiro buscar, já que aqui há um excedente de animais.

Os jumentos foram explorados por gerações para o transporte de carga e transporte de pessoas, especialmente na região nordeste. Com a chegada de automóveis e motos cada vez mais acessíveis à população, os jumentos começaram a ser abandonados.

O controle de natalidade é inexistente e eles se multiplicam às beiras das estradas, tornando-se um problema para a população. O problema, vale ressaltar, teve início na exploração histórica desses animais.

Como mais uma forma de exploração, vender a pele dos jumentos para a China pareceu algo lucrativo e fácil para o matadouro Frigocezar e também para o governo da Bahia.

Ainda segundo a reportagem do Agora Na Bahia, o abate de jumentos divide a opinião da população local. “Animais sagrados, usados pela família de Jesus Cristo e que não deveriam ter um fim tão triste.” – lamentou uma dona de casa. Outro morador opinou que é a favor, comparando o novo tipo de abate ao abate de gado. “É a mesma coisa. Se tivesse que ter pena a gente ia comer o quê?” – disse.

Inicialmente, o Frigocezar vai matar jumentos apenas às segundas-feiras – nos outros dias mata gado e outros animais –, mas já estuda dedicar também os sábados à atividade. Em março deste ano, o governador da Bahia esteve na China e afirmou que a ideia é que o abate de jumentos chegue a 700 animais por dia (veja aqui). Portanto, o abate de jumentos é legalizado e incentivado pelo governo baiano.

Fabio Chaves
Do Vista-se

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