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Decoreba: vale a pena apostar na memória ao estudar matemática?

A discussão foi o tema da quarta edição do Encontro de Práticas em Ciências e Matemática nos anos iniciais (Cimai) na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2019.

Por Rafaela Rodrigues - Experta Media

23/03/2021 às 15h09 • atualizado em 03/04/2021 às 16h11

Estudar ou decorrar (Fonte: Pixabay)

Atire a primeira pedra o estudante que nunca recorreu à decoreba antes de uma prova. O dicionário Michaelis apresenta a definição da palavra como “ação de decorar dados sem reflexão, apenas para prestar exames escolares”. Porém é outro significado que desperta preocupação em professores e pesquisadores da educação: “indivíduo que decora sem se importar em aprender”.

A discussão foi o tema da quarta edição do Encontro de Práticas em Ciências e Matemática nos anos iniciais (Cimai) na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2019. Segundo os organizadores, para evitar a aposta na memória, o ideal seria priorizar o desenvolvimento do pensamento crítico nos estudantes ao longo da aprendizagem nos conteúdos do ensino matemático e científico.

A decoreba pode trazer consequências no desenrolar do aprendizado, em especial, nas disciplinas de exatas, se for a única base do processo escolhido pelo aluno.

Os perigos da decoreba

Há quem acredita que memorização nem sempre é ruim. Na opinião do coordenador de Conteúdo do Responde Aí – plataforma de reforço para alunos de exatas do ensino superior -, Jorge Alberto Santos, é importante que o aluno tenha decorado algumas fórmulas ou conceitos. “Para resolver alguns problemas ou até mesmo para acelerar o processo de resolução das questões. Um exemplo disso, são as derivadas de funções trigonométricas. Saber essas derivadas de cabeça ajuda bastante ao longo da disciplina de cálculo.”

O perigo da decoreba foi citado pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). Um texto no blog da instituição alega que a memorização pode ser uma ferramenta auxiliar, sem fechar os conceitos em si, uma vez que o aprendizado exige profundidade.

Santos concorda com a fragilidade de confiar o estudo apenas a essas técnicas. “Caso o aluno opte por uma estratégia de decorar toda a resolução de uma questão, por exemplo, pode acontecer do professor alterar algum valor ou trecho do enunciado e todo o processo que estava decorado não seria mais válido.”

Por isso, temas mais complexos exigem muitos exercícios. Não sabe o que fazer com a Regra da Cadeia? Santos comenta. “Em um primeiro momento, a fórmula assusta, mas, na prática, saber o passo a passo para resolver as questões é o mais importante. Depois de fazer alguns exercícios, o aluno já não vai mais precisar lembrar da fórmula.”

Se o problema for compreender o Teorema de Stokes, o coordenador de Conteúdo do Responde Aí ressalta que a situação é parecida: o estudante não deve se assustar com a fórmula, mas praticar muito para entender o processo.

Aprender sem esquecer

O blog do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão) destaca que a técnica de repetição para guardar as informações no cérebro tem como benefícios a facilidade de uso e a capacidade de conseguir aplicar fórmulas em provas, se o estudante tiver boa memória.

No entanto, o texto da Unileão aponta que as complicações aparecem quando o aluno só recorre à decoreba. A técnica não contextualiza como os conceitos e as fórmulas devem ser usados. Dessa maneira, a tendência é que o cérebro substitua um aprendizado por outro e, a longo prazo, a pessoa esquece o que estudou.

Jorge Alberto Santos destaca que o estudante deve ir além de decorar e utilizar diferentes técnicas para ter um aprendizado de qualidade, especialmente em conteúdos de Exatas.

“É sempre interessante que o aluno entenda o que está por trás da explicação do professor. Isso vai ajudando a fixar o conteúdo e auxilia até mesmo na hora de lembrar qual fórmula ou conceito usar. Também vale ressaltar que, ao entender o porquê das coisas, o aluno vai se sentindo muito mais motivado para estudar determinado assunto”, resume.

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