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EXCLUSIVO: Emocionado, irmão de Iata Anderson anuncia doação de acervo para o Museu do Futebol de Cajazeiras

O jornalista cajazeirense Iata Anderson, ícone da imprensa esportiva brasileira, faleceu aos 81 anos no Rio de Janeiro. Seu acervo de camisas será doado para o Museu do Futebol de Cajazeiras

Por Luis Fernando Mifô

09/01/2026 às 14h36 • atualizado em 09/01/2026 às 16h56

O Museu do Futebol de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, receberá um dos mais valiosos acervos de camisas históricas do futebol brasileiro. Esse tesouro esportivo pertencia ao jornalista cajazeirense Iata Anderson, que faleceu nesta quinta-feira (08), aos 81 anos, no Rio de Janeiro, vítima de complicações de saúde decorrentes da idade. O anúncio da doação foi feito pelo irmão de Iata, o desembargador aposentado Siro Darlan, no programa Olho Vivo da Rede Diário do Sertão. “Ele saiu de Cajazeiras, mas Cajazeiras nunca saiu dele”, falou Darlan, que também é cajazeirense.

“Ele sempre se referia a Cajazeiras com muito orgulho. Com os amigos de Cajazeiras ele tem tido uma interlocução, tem cooperado para o crescimento da cultura esportiva em Cajazeiras. Inclusive, contribuiu muito com Reudesman para a afundação do Museu do Futebol”, destacou o irmão.

O Museu do Futebol de Cajazeiras, fundado pelo professor Reudesman Lopes, já contém doações feitas por Iata Anderson, como uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé, que era o amigo mais ilustre do cajazeirense.

“Iata merece realmente esse reconhecimeto e essa solidariedade. Ele vai ficar permanentemente no Museu para a lembrança de que Cajazeiras gerou um grande jornalista, um grande profissional e deixa esse acervo como uma marca da sua vitória. Ele realmente foi um homem vitorioso. E até mesmo na sua morte, ele morreu num dia singular, o dia 8 de janeiro, um dia em que todo o Brasil relembra a necessidade de estarmos atentos com os valores da democracia que ele tanto primava”, ressaltou Siro Darlan.

Iata Anderson entrevistou Pelé na despedida do Rei (Foto: Acervo Pessoal)

Infância pobre e com violência doméstica

Iata Anderson era um dos quatro filhos de Maria de Lourdes de Oliveira, dona de casa que sofria violência doméstica do marido e pai deles, que era alcoólatra. Para dar um basta na situação, dona Maria e a irmã dela, Anita Rolim, fugiram de Cajazeiras rumo ao Rio de Janeiro levando as crianças. As duas enfrentaram os desafios da cidade grande e do machismo para conseguir educar os garotos. Iata, então, viria a se tornar um dos maiores nomes da imprensa esportiva brasileria.

Ícone entre lendas

Iata Anderson começou sua trajetória na imprensa esportiva na Super Rádio Tupi, em 1970, e também passou pelas rádios Globo e Tamoio, além da TV Manchete. Em 1974, foi o único repórter a entrevistar Pelé na despedida do maior jogador de futebol de todos os tempos. Graças a essa entrevista, ele ganhou o apelido de “Amigo do Rei”.

Na sua estréia no Maracanã como repórter, entrevistou Samarone, o “Diabo Loiro”, ídolo do Fluminense. Em pouco tempo, fez dupla com Denis Menezes, outro ícone do jornalismo esportivo. Deois retornou à Tupi e se juntou a Doalcei Camargo, Gerson, Celso Garcia, Rui Porto e Ronaldo Castro para cobrir sua primeira Copa do Mundo, em 1978, na Argentina. A segunda foi em 1986, no México, pela TV Manchete.

Iata retornou à Tupi em 2007, onde participou do “Bola em Jogo”, aos domingos, de 12 às 15 horas, considerado um dos melhores programas esportivos do rádio carioca de todos os tempos. Trabalhou também na Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) como responsável pela assessoria de imprensa.

Iata Anderson ao lado do craque Roberto Dinamite (Foto: Acervo Pessoal)

Cinzas espalhadas em Pasárgada

O corpo de Iata Anderson será cremado na tarde desta sexta-feira (9), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio. As cinzas serão espalhadas em Pasárgada, como era chamado o sítio em que ele gozava da sua aposentadoria no últimos anos, levando uma vida bucólica, no município de Araruama, no interior do Rio.

DIÁRIO ESPORTIVO

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