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Religião está em alta entre jovens Paraibanos

Com a intenção de verificar como anda a fé da juventude, uma pesquisa realizada pela Unesco, ouviu 10 mil jovens brasileiros e constatou que 95,7% deles são crentes. Dentre eles, 66,7% são católicos e se dizem muito religiosos. Logo após vêem os evangélicos, que somam 18, 8% do total. Os 7,9% restantes se dizem crentes, […]

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13/12/2009 às 17h40

Com a intenção de verificar como anda a fé da juventude, uma pesquisa realizada pela Unesco, ouviu 10 mil jovens brasileiros e constatou que 95,7% deles são crentes. Dentre eles, 66,7% são católicos e se dizem muito religiosos. Logo após vêem os evangélicos, que somam 18, 8% do total. Os 7,9% restantes se dizem crentes, embora não sigam nenhuma religião. Após o levantamento, a pesquisadora do CNPq, Regina Novais, relaciona os altos números ao tempo em que os jovens vivem. “Na juventude é o momento de se experimentar. E, hoje, também se experimenta religião”, disse.

O jovem católico Danilo Luna, 19, diz seguir os preceitos que a Igreja lhe orienta, tendo o hábito de frequentar as missas e se confessar de três em três meses. “Eu tento ser fiel aos costumes de minha religião, e não só os sigo por convenção, mas por acreditar naquilo mesmo. Rezo todos os dias ao acordar, ao dormir e em cada refeição, bem como leio todos os dias uma frase do Evangelho”, comenta. Evangélica, a jovem Miria Barbosa frequenta a Igreja Batista, e diz seguir os costumes ao pé da letra. “Aqueles que me conhecem sabem que sou bem rígida com relação à religião. Sempre procuro seguir o que está na Bíblia e tenho o hábito de lê-la todos os dias”, diz.
Com menor representação entre a juventude, no entanto, em constante crescimento, estão as religiões de culto africano e de origens asiáticas. Os espíritas são em número de 1,4%, aqueles que seguem o candomblé e a umbanda representam 0,7%, e por último, os budistas e islâmicos, representando 0,2%. Indiferente aos preconceitos, Anderson Felipe, 16, conta que a liberdade e o respeito que o candomblé lhe oferece são elementos fundamentais para que pratique a religião. “Temos muito respeito a Deus, em primeiro lugar e, consequentemente aos orixás, respeitando os seus dias e fazendo oferendas em gratidão ao que eles nos oferecem”, comentou o jovem.

Representante de Iemanjá

“Essa religião é tudo na minha vida”, comenta a jovem Renata Fernandes. Com apenas 17 anos, a adolescente é representante de Iemanjá – santa protetora para praticante do Candomblé. A garota é considerada pela a religião uma ‘mãe de santo’, apesar da pouca idade, não podendo praticar costumes comuns as garotas da mesma faixa etária, como namorar, por exemplo. “Desde os quatros anos frequento os estoques (reuniões), e acredito que, por isso, recebi muitas graças em minha vida”, explica a garota.

Discussão sobre sexualidade
Os dados referentes ao uso de preservativos revelam um alto índice de aceitação (71%) entre os praticantes de candomblé e umbanda. De acordo com o presidente da federação dos cultos africanos na Paraíba, Walter Pereira, os números ocorrem devido à sexualidade e homossexualidade serem questões constantemente tratadas nas reuniões. “Ao contrário das outras religiões, nós orientamos os jovens para que usem preservativos, pois acreditamos que isso é cuidar de si. Da mesma forma não condenamos os homossexuais”, explica.

“Aqui é tudo muito aberto”
Para Anderson Felipe, praticante do candomblé, ser orientado pelo grupo é mais viável que não encarar a realidade. “Aqui é tudo muito aberto e somos orientados a cuidar de nós mesmos, e não a fingir que as coisas são proibidas e, por isso, não devem e nem podem acontecer”, comenta. Já para a evangélica Miria Barbosa, a igreja é correta ao determinar a virgindade até o casamento e não apoiar medidas como a legalização do aborto e matrimônio entre homossexuais.

Forma de comportamento

Seguir os princípios de uma religião pode gerar problemas para o jovem que vê na religião uma forma diferente de se comportar em relação aos que não acreditam na sua fé. “Os meus amigos, como os de qualquer outra pessoa que segue a religião ao pé da letra, me acham esquisita e muitas vezes me criticam, chamam de quadrada”, disse Miria. Mas alguns jovens levam essas diferenças como provas para que possam manter sua fidelidade, como é o caso de Danilo. “É normal que as pessoas critiquem. Muitos dos meus amigos, obviamente, não concordam. Mas Jesus já nos tinha alertado sobre isso. Sigo em frente e, depois, elas acabam se tocando e vendo a grandeza disso, passando a respeitar e, em muitos casos, a admirar”, finalizou.

Do Jornal Correio

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