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EXCLUSIVO: Reportagem mostra de perto a força da água na sangria de Boqueirão e a situação ao redor do açude

Buraco na barreira de contenção da ensacadeira causou pânico nos moradores. Dnocs informou que ele aconteceu por causa da pressão da água das chuvas

Por Luis Fernando Mifô

17/04/2024 às 16h07 • atualizado em 18/04/2024 às 14h41

A equipe de reportagem do programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão, esteve no Distrito de Engenheiro Avidos, na manhã desta quarta-feira (17), para mostrar a situação do açude popularmente conhecido como Boqueirão de Piranhas, que abastece o município de Cajazeiras, pereniza o perímetro irrigado do município de Sousa, enche vários mananciais de menor porte até chegar ao açude de São Gonçalo, em Sousa.

Na tarde desta terça, um vídeo que circulou em grupos de Whatsapp causou pânico nos moradores. As imagens mostram um buraco na barreira de areia da ensacadeira e muita água jorrando. A ensacadeira é uma espécie de barragem de contenção que foi feita pela empresa que está executado obras de recuperação da parede e das comportas do açude. Essa barreira contém o fluxo da água quando o açude sangra e possibilita que os serviços sejam realizados nas comportas.

O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), do Governo Federal, informou que o buraco na barreira da ensecadeira aconteceu por causa da pressão da água das chuvas. Como prevenção, o órgão federal vai abrir as comportas da barragem para retardar a sangria. Essa água que será liberada vai para São Gonçalo e depois para as Várzeas de Sousa.

Ensecadeira da obra em Boqueirão foi penetrada pela água, que fez um buraco na barreira de areia

Nesta quarta, a reportagem do Olho Vivo mostrou o volume de água que está descendo pelo sangradouro de Boqueirão. De acordo com o empresário e líder comunitário Francisco Ferreira, conhecido como Chico do Compressor, a vazão estava bem maior no dia anterior.

O volume de Boqueirão após as chuvas e o aparente risco da ensecadeira ser destruída pela água tem tirado o sono de moradores do distrito. Mas Chico do Compressor procura tranquilizar os ribeirinhos afirmando que a empresa contratada pelo Dnocs está tomando as providências e que também não há perigo da barragem do açude romper.

Comportas de Boqueirão abertas à esqueda e a estação de tratamento da Cagepa à direta

De acordo os dados mais recente da Aesa (Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba), Boqueirão está com 122.480.509 m³ (sua capacidade máxima é de 293.617.376 m³)

“O que estava tendo vazamento era da ensecadeira. Tem mais de ano que estava tendo esse problema dessa infiltração. Mas não tem problema, eles vão botar agora a comporta e amenizar esse problema na nossa região”, disse o líder comunitário Chico do Compressor.

Além do sangradouro, a reportagem do Olho Vivo mostrou também, de perto, o local frenquentado por banhistas –  que já está coberto de água -; alguns caminhos que requerem muito cuidado dos visitantes; a estação de tratamento de água da Cagepa, que distribui para a população de Cajazeiras; e o local onde ficam as máquinas da obras.

Reportagem da TV Diário do Sertão conversa com líder comunitário às margens do sangradouro de Boqueirão

No programa Olho Vivo da terça-feira, o ribeirinho conhecido como Dr. Pila sugeriu uma medida que, segundo ele, representaria “risco zero” de inundação. A dica é que se a água passar pela ensecadeira, as comportas sejam fechadas para encher o bolsão enquanto o nível do Rio Piranhas baixa. Após esvaziar a ensecadeira, a comunidade ajudaria a recuperar a barragem.

Na ocasião, Dr. Pila criticou a inércia da bancada da Paraíba em Brasília acerca do problema. “O grande problema é que os políticos paraibanos veem apenas Campina Grande e João Pessoa. Nós do interior aqui, não tem visão quase nada para esses políticos”, disse.

Local frequentado por banhistas em Boqueirão está inundado

O que diz o DNOCS

Através de uma nota de esclarecimento, o DNOCS afirma que “algumas medidas estão sendo tomadas na barragem” e que após uma diminuição de 10cm no volume do açude, “uma equipe especializada está realizando monitoramentos contínuos no local”.

“O DNOCS já está com profissionais mobilizados com equipamentos, trabalhando na elevação da cota do coroamento e, se necessário, promover o içamento das comportas do vertedouro para uma maior descarga do volume de água”, diz a nota.

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DIÁRIO DO SERTÃO

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