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VÍDEO: Reportagem especial mostra situação crítica e preocupação dos pescadores com baixo nível de Boqueirão

Embora o manancial esteja dentro do projeto de integração do Rio São Francisco, a quantidade armazenada é menor do que a esperada pelos moradores

Por Priscila Tavares

31/01/2026 às 15h21

A situação do Açude de Engenheiro Ávidos, também conhecido como Boqueirão de Piranhas, é bastante preocupante. Com pouco mais de 50 milhões de metros cúbicos de água atualmente, o manancial localizado no Distrito de Boqueirão, zona rural de Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, apresenta pontos críticos por causa da estiagem, causando prejuízos e preocupação na comunidade ribeirinha, principalmente aos pescadores e aos pequenos agricultores.

“Se for do pescador viver do peixe aí, ele pode abandonar e caçar outro ramo, porque não tem condições”, sentenciou o pescador José Neto.

Embora o manancial esteja dentro do projeto de integração do Rio São Francisco, a quantidade armazenada é menor do que a esperada pelos moradores. Há alguns anos, antes da transposição, o açude tinha muito mais água armazenada. Agora, com a água do Rio São Francisco passando por Boqueirão para chegar aos açudes de São Gonçalo, em Sousa, e do Rio Grande do Norte, o pescador vê o nível baixar cada vez mais e, à medida que o nível baixa, a preocupação só aumento.

“Antes dessa transposição, só teve 2017 até 2018 que a gente viu esse açude, talvez, na capacidade que ele está aí hoje. Antes ninguém tinha visto mais. Até o pessoal da empresa que trabalha aí, eu conversei com eles, e eles me disseram que esse açude ia ficar numa capacidade que só iam ficar soltando água que fosse entrando da transposição e não para ele diminuir o volume. Para hoje a gente viver numa situação dessas é muito triste”, lamentou o pescador.

José Neto, pescador (Foto: Fernanda Layse/ Diário do Sertão)

O líder comunitário Francisco Ferreira de Carvalho, conhecido como Chico do Compressor, do Distrito de Boqueirão, disse que as autoridades políticas precisam pressionar os órgãos de controle para que o manancial obtenha recarga d’água da transposição e não veja sua água seguindo o curso do Rio Piranhas, prejudicando os ribeirinhos.

“É muito complicado ver a situação que está o nosso manancial, muito baixo. Teve muitas manifestações, protesto contra essa solta dessa água e, infelizmente, os políticos só promessas. Ultimamente a barragem só serviu de palco de político e até agora ninguém resolve nada. O abandono dentro do nosso distrito é muito grande”, criticou Chico.

Boqueirão de Piranhas (Foto: Fernanda Layse/ Diário do Sertão)

Esta semana, o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), Porfírio Loureiro, fez um panorama geral da situação hídrica do estado durante entrevista ao programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário. Em relação ao açude de Boqueirão de Piranhas, Porfírio negou que esteja secando por causa da transposição e disse que a Agência Nacional das Água (ANA) está realizando uma compensação.

O presidente da Aesa também revelou que no Eixo Norte, atualmente, somente uma bomba está funcionando, o que limita a liberação de água do projeto de integraçaõ. Mas assegurou que a ANA sinalizou que a partir de julho as duas bombas estarão em pleno funcionamento, o que vai garantir uma maior vazão e, consequentemente, um aumento no armazenamento do açude de Boqueirão de Piranhas, e será realidade a compensação.

“A ANA está tentando corrigir agora, por isso que o reservatório está com um volume maior. A gente fez uma demanda para que essa água que, nessa operação, saiu pelo reservatório, passou para São Gonçalo e foi para o Rio Piranhas, que ele voltasse a ficar no sistema. Então, a ANA está fazendo essa compensação, explicou Porfírio Loureiro.

Santuário de Nossa Senhora Aparecida em Boqueirão de Piranhas (Foto: Fernanda Layse/ Diário do Sertão)

O pescador que contempla a beleza do açude continua sua luta na esperança de garantir o sustento da família através do que seu anzol consegue fisgar. Enquanto isso, ele segue tentando, até que tudo seja solucionado.

A natureza é testemunha da história. O açude de Boqueirão de Piranhas foi construído no século passado, pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), para garantir água para o Alto Sertão. A obra foi concluída em 30 de setembro de 1936 e inaugurada em 19 de novembro de 1936, ou seja, agora em 2026, o açude de Boqueirão completa 90 anos.

Ao longo dos anos, graças ao açude, tudo ganhou vida ao seu redor. As comunidades do entorno foram beneficiadas com grandes investimentos e o Distrito de Boqueirão se tornou um dos maiores da Paraíba. Apesar das dificuldades, o distrito tem superado as estiagens, basta vermos a estrada que liga a comunidade à BR-230 e o potencial turístico com o belíssimo Santuário de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Distrito. No local, anualmente, milhares de fiéis sobem até o topo da serra para rezar diante da imagem e contemplar a vista panorâmica do alto, vislumbrando a beleza que é Boqueirão.

DIÁRIO DO SERTÃO

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