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VÍDEO: Sertanejo torturado na ditadura militar conta que teve apoio do Papa para que não o matassem

Cajá contou sua trajetória de vida, suas experiências e as torturas que sofreu durante a ditadura militar.

Por Campelo - Diário do Sertão em Sousa

04/08/2019 às 14h30 • atualizado em 08/08/2019 às 13h38

Edival Nunes Cajá, é natural de Bonito de Santa Fé, região de Cajazeiras, no Sertão do estado, e iniciou sua militância estudantil ena Terra do Padre Rolim, onde também ingressou no seminário Nossa Senhora da Assunção.

Em uma entrevista a TV Diário do Sertão ao apresentador José Dias Neto, Cajá contou toda a sua trajetória de vida, suas experiências e as torturas que sofreu durante a ditadura militar.

Ele contou que no início da década de 70 foi para Recife, onde fortaleceu ainda mais sua experiência como líder estudantil, época em que ele conheceu Dom Hélder Câmara, então arcebispo de Olinda e Recife-PE. Era chamado de Cajazeiras por amigos, foi então que Dom Heldér Câmara resolveu cham-á-lo de Cajá, e ficou, todo mundo passou a chamá-lo assim.

No dia 12 de maio de 1978, Cajá foi sequestrado por agentes da ditadura, sendo submetido à torturas durante 3 dias e mantido em cárcere privado por 12 meses. Quando passou por momentos difíceis.

Sociólogo falou sobre a ditadura e a atual situação do Brasil

Cajá foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional, acusado de organizar o Partido Comunista Revolucionário (PCR), um dos partidos políticos considerados pela ditadura como uma ameaça à soberania nacional. Apesar das torturas, utilizadas como meio de obter informações que levassem à prisão de outras lideranças, Cajá nada revelou aos seus algozes. A prisão de Cajá teve repercussão nacional e internacional, grande visibilidade na mídia e mobilizou muitos setores da sociedade que se engajaram na luta pela sua liberdade. Até o papa Paulo VI enviou um telegrama para o então presidente da época pedindo ‘que poupassem a vida de Cajá’.

Estudantes do Brasil inteiro se mobilizaram em apoio a Cajá durante a sua prisão

Além do apoio da Igreja, até a cantora Elis Regina apoiou o líder estudantil Cajá: “Ela fez isso durante um show, e foi chamada a atenção e tentaram impedir o seu show, e ela disse: -Mas será possível que não se pode mais usar os advérbios de lugar e tempo Cá, Já.. será possível?” afirmou ele.

A sua prisão desencadeou manifestações em todo o país. Outras manifestações aconteceram durante todo o período em que Cajá permaneceu preso. Diante da pressão popular, Cajá foi solto, mas voltou a ser preso pouco tempo depois, sendo liberado definitivamente em 1 de junho de 1979.

Ele contou detalhes de como ocorriam as torturas da ditadura militar. e criticou o atual presidente Jair Bolsonaro: “Ele aparece para cumprir um papel sujo de retirar as conquistas sociais, submeter a nossa economia, o nosso mercado ao mercado Norte Americano de uma maneira que enoja, batendo continência para a bandeira dos Estados Unidos, colocando seu filho como embaixador do Brasil nos Estados Unidos para poder fazer negócios escusos“, afirmou o sociólogo.

Atualmente, depois de 41 anos da prisão, Cajá segue construindo o Partido Comunista Revolucionário, mesmo Partido pelo qual lutaram e morreram defendendo Manoel Lisboa, Manoel Aleixo, Amaro Felix Pereira, Emmanuel Bezerra e Amaro Luiz de Carvalho. A ditadura militar acabou mas não conseguiu destruir o PCR e nem a moral revolucionária de Cajá e de seus militantes.

Sociólogo falou sobre a ditadura e a atual situação do Brasil

Ao final da entrevista, Cajá foi presenteado por José Dias Neto com um exemplo de um livro que remonta a história de Cajazeiras em quadrinhos, o exemplo ‘A vida do Padre Rolim em quadrinhos’.

Cajá esteve visitando Cajazeiras neste final de semana, onde participou de compromissos familiares e também visitou amigos, entre eles, o padre Gervásio Queiroga, com quem trabalhou na CNBB.

Veja na galeria as imagens que ilustram a trajetória de Cajá!

DIÁRIO DO SERTÃO

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