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Francisco Cartaxo

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Milícia do coronel Guimarães

17/06/2024 às 19h46

Coluna de Francisco Cartaxo

Por Francisco Frassales Cartaxo – Semana passada falei do grupo Viriato, atuante na segunda metade do século XIX, sobretudo, no sul do Ceará e oeste da Paraíba. Um confronto armado em Boa Esperança muito contribuiu para ampliar sua visibilidade. A luta ocorreu em 1878, segundo ano da grande seca de 1877-79), envolvendo também retirantes que ali faziam pouso. Autoridades das províncias do Ceará e da Paraíba resolveram unir-se para tentar “exterminar” aquele grupo, cercando-o naquela povoação do município de Milagres.

No Império, as forças policiais eram frágeis. Por isso, as autoridades recorreriam aos chefes políticos, sendo ou não oficiais da Guarda Nacional. Foi este o caso do coronel José Ferreira Guimarães, apelidado de Cazuza Marinheiro, um português que, ainda muito jovem, se fixou no Recife, como comerciante e, a conselho médico, para fugir da umidade do litoral foi buscar o clima seco do sertão. Esbarrou em Santa Fé, florescente distrito de São José de Piranhas, passagem de tropeiros do Pajeú/Vale do Piancó rumo ao Ceará. Homem rico, foi alvo dos Viriato.

Durante a seca o grupo expandiu-se.

Daí porque, governantes do Ceará e da Paraíba arregimentaram forças oficiais e milícias privadas, entre as quais cerca de 160 homens, reunidos na Paraíba pelo coronel Guimarães e pelo capitão Timotheo, que, somadas às do delegado de Cajazeiras e mais 60 policiais das forças de linha do Ceará, alcançam cerca de 220 homens.

O ataque à Boa Esperança teve início ao amanhecer de 26 de maio de 1878, prolongando-se até a manhã do dia seguinte. Mais ou menos 30 horas. A resistência foi grande, embora muito desorganizada pela mistura de cangaceiros e retirantes. Houve luta com armas de fogo e armas brancas em refregas corporais, além de incêndios e saques, numa brutal confusão. Disso tudo resultaram 15 mortos, incluindo um policial, reconhecidos pelas autoridades, dezenas de feridos e 53 prisões efetuadas nos dias seguintes em vários lugares do Ceará e da Paraíba. Cito esses números com as devidas ressalvas, dadas as divergências entre fontes consultadas. Nenhum dos irmãos Viriato teria sido morto ou preso. Escaparam por veredas que conheciam muito bem.

Todas as narrativas exaltam a contribuição de Cazuza Marinheiro, então um jovem de 26 anos. Talvez por isso, em 1884, José Ferreira da Silva Guimarães, já naturalizado brasileiro, obteve Carta Patente de Alferes da Guarda Nacional, assinada pelo cearense Antônio Sabino do Monte, presidente da Parahyba, para servir no 31º BI, sediado em Cajazeiras.

P S – O coronel Guimarães era sogro de Crispim Coelho, avô de figuras como Otacílio Jurema, José e Sabino Rolim Guimarães.

Sócio do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano


Os textos dos colunistas e blogueiros não refletem, necessariamente, a opinião do Sistema Diário de Comunicação.


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Francisco Cartaxo

Francisco Cartaxo

Francisco Sales Cartaxo Rolim foi secretário de planejamento do governo de Ivan Bichara, secretário-adjunto da fazenda de Pernambuco – governo de Miguel Arraes. É escritor, filiado à UBE/PE e membro-fundador da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Autor de, entre outros livros, Guerra ao fanatismo: a diocese de Cajazeiras no cerco ao padre Cícero.

Contato: [email protected]

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Francisco Sales Cartaxo Rolim foi secretário de planejamento do governo de Ivan Bichara, secretário-adjunto da fazenda de Pernambuco – governo de Miguel Arraes. É escritor, filiado à UBE/PE e membro-fundador da Academia Cajazeirense de Artes e Letras – ACAL. Autor de, entre outros livros, Guerra ao fanatismo: a diocese de Cajazeiras no cerco ao padre Cícero.

Contato: [email protected]

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