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Homem que matou esposa a pedradas no Vale do Piancó é condenado a 24 anos de prisão: ‘Eu a amava’

"Uma das mortes mais tristes que já vi. Nunca vi tamanha crueldade e tristeza", disse a promotora do júri, Artemise Leal.

Por Campelo Sousa

10/09/2020 às 09h17 • atualizado em 10/09/2020 às 09h18

Maria do Carmo Clementino Souza, tinha de 61 anos (foto: Diamante Online)

Um homem foi condenado a 24 anos de reclusão pelo assassinato de Maria do Carmo Clementino de Sousa, ocorrido no dia 24 de abril de 2018, na cidade de Santana dos Garrotes, região do Vale do Piancó, Sertão da Paraíba. A vítima foi morta a pedradas pelo marido, porque tirou uma fotografia em uma videira, durante uma viagem a João Pessoa para um tratamento de saúde.

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O júri aconteceu nessa terça-feira (08), em Piancó. “O clássico feminicídio. Ela foi arrancada da cozinha ao quintal da casa e a atacada a pedradas. Ele ainda tentou sufocá-la e, por fim, a jogou num esgoto. Ela foi socorrida para um hospital, mas com três dias morreu. A motivação do crime: ciúme, sentimento de posse, coisificação da mulher. A mulher sendo tratada como objeto do homem. A verdade é essa, porque, por mais que ela tenha ido fazer um tratamento de saúde, qual o problema de fazer uma visita, se encantar com uma videira e tirar uma foto? Matar a pedradas? Foi muito brutal. Muito triste”, relatou a promotora de Justiça, Artemise Leal Silva.

Maria do Carmo foi morta pelo marido por ter tirado foto em um pé de uva durante uma viagem em João Pessoa (Foto: Divulgação/MPPB)

A representante do Ministério Público da Paraíba, que é promotora do júri, há anos não conseguia esconder o choque de acompanhar o processo. Ela disse que o caso foi tão característico de feminicídio (que é a morte de mulher pelo simples fato de sua condição de mulher, de gênero) que o conselho de sentença de Piancó, formado por sete jurados, reconheceu quatro qualificadoras do crime: a do feminicídio (crime praticado em razão de ser mulher, envolvendo a violência doméstica), motivação fútil, mediante recurso que tornou impossível a defesa da ofendida e por meio cruel. A vítima também sofria com glaucoma, tinha uma deficiência visual. Em decorrência do feminicídio, foram reconhecidos também duas causas de aumento de pena: crime praticado contra uma pessoa acima de 60 anos (ela tinha 61 anos à época do crime) e na presença de uma descendente do casal, uma neta, que precisou ser socorrida dado o estado emocional dela.

Segundo Artemise Leal, a motivação do crime choca. Francisca tinha ido a João Pessoa para fazer um tratamento para glaucoma. Durante sua estada foi fazer uma visita na casa de um conhecido, se encantou com um pé de uva e tirou fotografias. A fotos chegaram ao conhecimento do marido em Santana dos Garrotes, por celulares. “Quando a vítima chegou, ele discutiu com ela por causa dessas fotos, dizendo que não era comportamento de mulher casada. Ela chegou por volta das 4h (madrugada) e às 7h (manhã) estava quase morta. Esse crime foi presenciado pela ex-nora que morava com o casal e a neta. Dadas as condições, o conselho de sentença acolheu todas as qualificadoras defendidas pelo Ministério Público e as causas do aumento de pena. O juiz e presidente do Tribunal do Júri, Pedro Davi Alves de Vasconcelos, fixou a sentença em 24 anos de prisão.

“A sentença foi justa porque houve o reconhecimento de todas as qualificadoras que o Ministério Público sustentou durante a tramitação da ação penal, desde a denúncia até a instrução plenária. O júri começou por volta das 9h e terminou por volta das 17h. O filho do casal foi ouvido, o réu também foi interrogado. Durante o interrogatório, disse: ‘eu a amava’, como uma forma de sensibilizar os jurados. Eles eram casados há 40 anos. Já existia o ciclo de violência, uma violência pretérita, com intimidações, com ciúmes e ameaças. Ele ficou com ciúmes da foto. Disse que ela foi pra João Pessoa para se tratar e não para fazer foto e visita. Percebemos aí o ciúmes, o domínio, a coisificação da mulher. A gravidade das lesões foi tamanha que, quando ela chegou ao hospital em Piancó, já teve que receber sangue, dada a violência que sofreu desse homem. Uma das mortes mais tristes que já vi. Nunca vi tamanha crueldade e tristeza. A pessoa viver 61 anos e ter esse fim é revoltante”, repetiu a promotora do júri, Artemise Leal.

DIÁRIO DO SERTÃO com MPPB

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